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O que Obama pode te ensinar sobre uma boa oratória - parte II

O que Obama pode te ensinar sobre uma boa oratória - parte II

Nos dois posts passados fizemos uma introdução sobre a importância da oratória para o advogado e trouxemos a figura do Barack Obama como um exemplo a ser seguido. Neste terceiro post, abordaremos algumas técnicas para que você possa aplicá-las juntamente com as dicas levantadas nos dois últimos textos. Mas, antes de mergulhar fundo nas técnicas a seguir, lembre que essas habilidades comportamentais são cada vez mais essenciais nessa nova era do Direito Contemporâneo. Com o advento da tecnologia, que toma conta de atividades rotineiras e operacionais, a necessidade de se desenvolver em o profissional jurídico que o mercado exige é essencial para sobreviver na profissão. Assim, tendo isso em mente, vamos às técnicas. 


Técnica de Oratória I - Anáforas


Uma das técnicas de oratória que Barack Obama usa bastante em seus discursos é a Anáfora. Essa técnica consiste na repetição de determina palavra ou palavras no início de duas ou mais frases sucessivas, para enfatizar o termo repetido. Alguns exemplos dessa técnica podem ser exemplificados em momentos do discurso de despedida de Barack Obama:


Se você está cansado de discutir com estranhos na internet, tente conversar com um deles na vida real. Se algo precisa ser consertado, amarre seus sapatos e se organize. Se você está desapontado com seus oficiais elegidos, pegue uma prancheta, consiga algumas assinaturas e concorra você mesmo ao cargo.”


“A todos vocês ai fora, cada organizador que se mudou para uma cidade não familiar, cada família caridosa que os receberam bem, cada voluntário que bateram nas portas, cada americano que viveu e respirou a trabalho duro da mudança – vocês são os melhores suportes e organizadores que qualquer pessoa poderia desejar, e eu serei grato para sempre. Por que vocês mudaram o mundo.”


Utilize essa técnica em uma ou mais situações práticas nas quais você precise se comunicar, seja em uma reunião do escritório ou na tese que precisa ser defendida em uma sustentação oral. Pratique, treine e ajuste o que for necessário para melhorar essa habilidade. 


Técnica de Oratória II – A regra dos três


Outra técnica utilizada pelo Ex-presidente dos Estados Unidos é a Regra dos três. Essa técnica, também chamada de “Tricolon” na Grécia Antiga, é um termo retórico para o suo de uma série de três palavras, frases ou cláusulas, de forma paralela. O número três é um dos números mais poderosos na comunicação, pois nós pensamos em três, agrupamos números em três, falamos em três. Observe o uso dessa técnica em um trecho do discurso do Barack Obama (aqui não traduziremos para poder explicar melhor): 

 “We remain the wealthiest, the most powerful, the most respected nation on earth.” 
A parte grifada mostra um exemplo de tricolon ascendente, ou seja, o número de palavras aumenta em cada parte falada. No exemplo: the wealthiest (duas), the most powerful (três), the most respected nation (quatro). 
É claro que você não precisa ser tão eloquente quanto Barack Obama, mas ser um bom comunicador trará muitos benefícios. 
Além de dominar as técnicas, existe um outro ponto muito importante: a prática. Um vídeo do programa Behind the Scenes ficou famoso por mostrar Barack Obama praticando um de seus discursos. No vídeo em questão, ele aparece ao lado do seu “Anger Translator” treinando suas falas e verificando o conteúdo de sua apresentação. Pessoas próximas do ex-presidente confirmam que a prática de ensaiar suas falas era uma constante em sua vida. Ainda que tivesse a agenda cheia, sempre que possível, ensaiava em voz alto as suas apresentações. 
Inclusive, isso demonstra o quanto a habilidade de oratória tem a ver com a humildade em admitir que todos nós precisamos praticar, sempre que possível, nossas apresentações, independentemente dos anos de experiência que temos ou quanto dominamos determinados assuntos.


Técnica de Oratória III – Compilado de observações


Por fim, e complementando tudo que já expusemos, você deve ter em mente algumas atitudes e comportamentos como: praticar a escuta ativa, usar e observar a comunicação não-verbal, falar com clareza, concisão e tom amigável, falar com confiança, ter uma mente aberta e usar a empatia na hora de se comunicar.


Escuta ativa – escutar ativamente envolve prestar atenção ao que a outra parte está falando, fazendo perguntas esclarecedoras e parafraseando o que a pessoa diz para garantir que entendeu, evitando possíveis ruídos na comunicação.


Comunicação não-verbal – a linguagem corporal, o contato visual, gestos de mãos e tom de voz, enfatizam a mensagem que você está tentando passar. Um tom relaxado e amigável fará com que você pareça acessível e encorajará outras pessoas a falar abertamente com você. O contato visual também é importante. Olhá-la nos olhos demonstra que você está focado nela e na conversa. 


Clareza, concisão e tom amigável – Pense no que você quer dizer antes de fazer isso. Clareza e concisão permitem que a comunicação flua de forma a não gerar ruídos, fazendo com que as duas partes se entendam e saibam o que cada uma deseja do assunto ou questão que está sendo tratada. 


Confiança – A confiança garante aos seus colegas advogados, juízes e clientes que você acredita e agirá em relação ao que você está dizendo. Mas é claro que deve haver um cuidado na hora de mostrar confiança para não soar agressivo ou arrogante. Se comprometa a escutar e ser empático com a outra parte.


Mente aberta e empatia – Esteja aberto a ouvir e entender o ponto de vista da outra pessoa, ao invés de apenas tentar transmitir a sua mensagem. Estar disponível a entrar em um diálogo, ainda que seja com alguém com quem você discorda, você será capaz de ter conversas mais honestas e produtivas. Isso é muito importante quando é necessário fechar um negócio, ou entender o cliente para ter sucesso em determinada demanda. Nesse caso entra a empatia também; usar frases como “Eu entendo o que você está me dizendo”, mostram que você está ouvindo ao que a outra pessoa está falando e respeita sua opinião. 


 

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