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Direito e Produtividade

Direito e Produtividade


A produtividade não é uma palavra nova e recém-chegada no vocabulário do profissional do Direito, quanto mais a exigência da conversão dela em ações traduzidas em resultados profissionais. Mas você já se perguntou qual a origem da produtividade?  

A História da Produtividade

O termo produtividade foi utilizado pela primeira vez, de maneira formal, no artigo do economista francês Quesnay em 1766. Foi quase depois de um século, em 1883, que outro economista, também francês, Littre, usou o termo no sentido de capacidade para produzir e foi apenas no final deste século que o termo passou a assumir o significado da relação entre o produzido e os recursos empregados para produzi-lo. 

Este conceito, contudo, teve um desdobramento no início do século XX devido à criação da chamada linha de produção, por Henry Ford. A revolução dos métodos e processos produtivos até então exigidos deram espaço para o conceito de produção em massa, caracterizada por grandes volumes de produtos. Esta forma de produção trouxe consigo princípios inovadores relacionados à melhoria da produtividade por meio de novos conceitos e técnicas de gestão das atividades.

Mas, foi só em 1950, que a Comunidade Econômica Europeia apresentou uma definição formal de produtividade como sendo o quociente obtido através da divisão do produzido por um dos fatores de produção. Assim, tornou-se possível falar de produtividade de capital, de matéria-prima, da mão de obra, etc.

A evolução do conceito de produtividade, portanto, trouxe a noção que temos hoje do que isso quer dizer em nosso dia a dia profissional: a associação à eficiência e o tempo – de que quanto menos tempo levamos para obter o resultado pretendido, mais produtivo somos e, por consequência, executamos mais tarefas em um curto espaço de tempo. 

Mas, apesar de a produtividade ser considerada por muitos profissionais, não apenas do Direito, como sendo o melhor indicador para se comparar a eficácia da gestão e a obtenção de resultados, será que o profissional jurídico entende como ser, ou se tornar mais produtivo na era do Direito 4.0? 

Produtividade e o Direito 4.0

A necessidade de ser produtivo nunca foi uma novidade na vida profissional, e nos tempos atuais, mais do que nunca, a cobrança para sermos mais produtivo aumentou ainda mais. As demandas processuais, contencioso em massa e a pressão para angariar novos clientes sempre fizeram parte de um fluxo recorrente na atuação do dia a dia do advogado, gerando a urgência de aumentar os níveis de produtividade. 
Mas, com o advento de novas tecnologias jurídicas, muitos fluxos e rotinas de trabalho foram otimizadas.

Estas novas tecnologias deram início a era do Direito 4.0 e os softwares jurídicos passaram a assumir 50%, se não uma porcentagem ainda maior, do papel do advogado nas tarefas repetitivas e operacionais como as de controle, de forma mais rápida e eficiente. Portanto, o conceito de produção em massa, trazido por Henry Ford no início do século XX já se torna um pouco obsoleto para entendermos a nova dinâmica da rotina profissional jurídica. Um exemplo disso é a advocacia em massa, que hoje já não demanda mais tanto tempo do advogado que conta com o auxílio de softwares específicos para desempenhar este tipo de tarefa.   

Essas transformações e possibilidade de delegação de tarefas abre espaço para que o advogado possa focar em atividades mais estratégicas, trazendo um novo significado para o conceito de produtividade. O profissional jurídico produtivo não é mais aquele que fica atrás de uma mesa por horas, atualizando andamentos processuais, fazendo carga de diversos processos ou preenchendo espaços em branco de “processos CTRL C CTRL V”. 

Mas, se a era tecnológica trouxe agilidade para as rotinas diárias de trabalhado, otimizando os processos que não necessitam mais do foco do advogado para a sua execução, por que nos referimos ao momento atual como a “era da exaustão”? Por que ainda parece que existe uma dificuldade em como achar o melhor caminho para ser efetivamente produtivo?

Isso parece contraditório, mas na verdade é algo muito comum e compreensível. Ao mesmo tempo que as novas tecnologias vieram para otimizar o fluxo de trabalho, fornecendo mais informações e novas formas de trabalhar, elas também tiraram grande parte da rotina com a qual o mundo jurídico estava acostumado a seguir e produzir.

Redefinindo a Produtividade no seu Escritório

Nesse sentido, podemos apontar aqui que a questão atual na atividade do mundo jurídico não está ligada aos malefícios dos novos softwares, mas em como o advogado pode usá-los a seu favor para que possa ser produtivo nas áreas jurídicas que merecem a devida atenção, e que geralmente envolvem o pensamento estratégico, estando diretamente conectado ao sucesso do negócio. 

E é neste momento que surge a importância de organização e foco. Em um primeiro momento, a necessidade é de desconstrução da rotina de trabalho. Este exercício é um ponto importante para que seja possível pontuar atividades que podem ser otimizadas, quanto tempo cada tarefa leva, entrou outros fatores. Assim, rever a organização atual do seu fluxo de trabalho para que o segundo passo seja dado é essencial. A partir disto, o foco poderá ser direcionado para as atividades essenciais e vitais para o sucesso e sobrevivência do seu escritório ou negócio jurídico.  

Portanto, neste novo cenário jurídico 4.0, é indispensável saber delegar o que não mais faz sentido consumir tempo da sua rotina diária para que se possa aprender a produzir do jeito certo, focando nas rotinas estratégicas de trabalho que jamais poderão ser substituídas por uma máquina. 
 

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